domingo, 9 de outubro de 2011

Reiniciando

Depois de um bom tempo sem escrever eis-me aqui novamente! Finalmente defendi, uma pesquisa desenvolvida ao longo de dois anos e meio chegou ao fim. 
Escutando a leitura da ata
A defesa da minha dissertação, intitulada "Angeli e a República dos Bananas: representações cômicas da política brasileira na revista Chiclete com Banana (1985-1990)", ocorreu na manhã do dia 24 de agosto. Apesar da ansiedade característica de um evento assim, tudo se passou de forma muito tranquila e satisfatória. Pude perceber que os membros da banca gostaram da minha escrita, do tema, dos resultados da pesquisa, enfim, ficaram satisfeitos com o trabalho. 
Assim como me disseram muitos amigos que já haviam passado pela mesma experiência, a defesa é um momento muito bom. Da parte da banca vieram comentários significativos, que me acompanharão por toda a minha vida acadêmica.

A tradicional foto com a banca avaliadora. Da esquerda para a direita: Iranilson Buriti de Oliveira (examinador externo), Regina Maria Rodrigues Behar (orientadora) e Henrique Magalhães (examinador interno)

Porém , apesar de ter passado muito tempo esperando por esse momento conclusivo, após alguns dias de descanso vem uma sensação de vazio, um certo sentimendo de "viuvez" como definiu minha querida professora Regina Célia. Sentindo que já era hora de reiniciar, tal qual pus no título, lanço-me a novos desafios, e entre eles está este blog. Ainda existe muito a ser comentado sobre quadrinhos, e aguardem mais textos e com mais frequência, prometo!
A prova do crime: minha dissertação
Apoveito para agradecer à minha orientadora, a Profa. Regina Maria Rodrigues Behar, que sempre acreditou na viabilidade da minha pesquisa e me deu algo fundamental para um bom desempenho em um trabalho acadêmico: liberdade. Agradeço também ao Prof. Henrique Magalhães, que gentilmente permitiu o acesso e digitalização das fontes, e ao Prof. Iranilson Buriti de Oliveira, pelas excelentes contribuições no momento da defesa. Não posso esquecer de agradecer também a todos os professores do PPGH/UFPB, que direta ou indiretamente contribuíram com a minha pesquisa.
Por enquanto, compartilho com vocês as fotos desse dia tão maravilhoso na minha vida, mais um ciclo que concluí e a abertura de muitas outras portas pelas quais desejo passar. Agradeço aos que torceram por mim e acompanharam meu percurso, e aproveito para convidá-los para minha mais nova jornada no mundo dos quadrinhos e da pesquisa acadêmica.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Como os Beats entraram na minha vida


Um dos maiores erros de quem está em processo de finalização de uma dissertação é começar a pensar em temas para uma tese. Mas manter o foco é uma tarefa difícil, diria até quase impossível, pois são muitas as leituras feitas durante a elaboração de uma dissertação, logo, como todo ser pensante, as ideias começam a saltar e já começamos a planejar o próximo passo antes mesmo de concluir este primeiro.

Comigo, tudo começou na qualificação, quando a banca examinadora me recomendou que aprofundasse o debate sobre contracultura. Depois de ler alguns artigos sobre o tema fui direto na fonte, li The Making Of  a Counter Culture, de Theodore Roszak, o autor que criou o termo contracultura. Desde as primeiras páginas o autor me seduziu, especialmente com a seguinte afirmação no primeiro capítulo:

Para o bem ou para o mal, a maior parte do que atualmente ocorre de novo, desafiante e atraente, na política, na educação, nas artes e nas relações sociais (amor, corte sentimental, família, comunidade) é criação de jovens que se mostram profundamente, até mesmo fanaticamente alienados da geração de seus pais, ou de pessoas que se dirigem primordialmente aos jovens.”
(ROSZAK, 1972, p.15)

Sempre me senti atraída por movimentos culturais da juventude,movimentos de contestação, ruptura dos padrões. Lembro de ainda no Ensino Médio ter lido repetidas vezes livros sobre estes temas. E na pós-graduação, a possibilidade de trabalhar com histórias em quadrinhos contraculturais me apaixona. Me aprofundando na leitura de Roszak, conheci melhor os beats. Havia feito algumas leituras antes sobre este movimento, mas com este autor, compreendi o movimento com um olhar mais diferenciado, e isso despertou ainda mais minha curiosidade.


Porém, o estopim que fez explodir em mim essa ânsia pela literatura beat, foi a leitura da Graphic Novel Os Beats. Em um ritmo que se assemelha muito ao jornalismo em quadrinhos de Joe Sacco, esta obra me permitiu conhecer mais sobre Jack Kerouack, Allen Ginsberg e William Borroughs, grandes nomes daquela que ficou conhecida como geração beat, assim como também fui apresentada a outros autores cuja obra ainda eu ainda desconhecia.

O desejo destes autores em criar uma arte livre de amarras, seu antiacademicismo (e que hoje é objeto de estudo da academia!) e o estilo de vida que levavam me impressionaram, e confesso que entre um parágrafo e outro da minha pesquisa atual, sempre encaixo algo deste tema para uma pesquisa futura. 




Não é a melhor receita para realizar uma pesquisa acadêmica, pois recomenda-se sempre fechar um tema para ingressar em outro, todavia, para uma pesquisadora da contracultura seguir as regras ao pé da letra seria muito contraditório não?! Além disso, sou uma pessoa movida pela paixão, os que me conhecem sabem muito bem disso, e os que ainda não me conhecem, podem perceber essa minha característica pelos meus textos e comentários. E quando me apaixono, mergulho a fundo no tema, me envolvo por completo, e apesar de na escrita acadêmica sempre existir a recomendação de dosar as paixões, eu prefiro ficar com uma frase do maravilhoso filme argentino El Secreto de Sus Ojos, “Sólo hay una cosa que un tipo no puede cambiar. No puede cambiar de PASIÓN”.



terça-feira, 19 de outubro de 2010

Novos resultados da produção de HQs em sala de aula

Já faz um bom tempo que não escrevo, desde agosto sem por uma única linha aqui! Mas para quem pensou que eu havia abandonado o blog ou deixado de trabalhar com histórias em quadrinhos, cometeu um grande engano. Na verdade, eu estava mais do que nunca empenhada em trabalhos nessa área, tanto na minha dissertação, pois há alguns dias terminei meu trabalho de qualificação, quanto no meu trabalho como professora, pois realizei trabalho semelhante ao desenvolvido em 2009, mas desta vez com alguns acréscimos. E, finalmente, venho agora compartilhar os frutos deste projeto.

O trabalho foi aplicado com turmas do sexto ano do ensino fundamental e o tema escolhido foi o povo hebreu. Explico: em primeiro lugar levei em consideração o fato de que muitos deles já conhecem de certa maneira o tema, por informações adquiridas nas aulas de catecismo ou na escolinha dominical, em segundo lugar  considerei a grande quantidade de material disponível na internet, de maneira que facilitaria a pesquisa dos alunos ao oferecer ampla diversidade, e em terceiro, observei que geralmente os alunos de sétimo ano tem uma grande dificuldade em entender a formaçãos das religiões monoteístas, portanto, pensei que essa experiência serviria como uma base para o ano seguinte.

Comecei pela exposição oral do conteúdo, tanto para oferecer aos alunos um primeiro conhecimento do tema a ser abordado como para observar o que eles já sabiam sobre o conteúdo, porque penso que a exposição oral não é apenas um trabalho de repasse do conhecimento do professor para o aluno, mas muito além disso é um importante instrumento de sondagem. Além de expor o conteúdo e verificar o que eles já conheciam, expus o que seria precisamente o trabalho final, para que desde o início eles direcionassem a pesquisa para a produção de determinada linguagem.

Feito isso, o segundo passo foi levá-los, divididos em grupos de três componentes, para realizar uma pesquisa na sala de informética, para que eles identificassem todo o material necessário para a construção da história em quadrinhos, para tal, foi seguido um roteiro elaborado anteriormente na sala de aula junto com os alunos.

O próximo passo foi reunir referências visuais, obtidas através da  exibição da animação O Príncipe do Egito, produzida pelos estúdios Dream Works em 1998.



Em seguida, na sala de aula, foram feitas as comparações entre o material pesquisado e as referências obtidas por meio da animação. Feito isso, fiz uma revisão sobre a linguagem dos quadrinhos e os grupos partiram para a elaboração dos mesmos. Pedi que escolhessem apenas algumas passagens, as que tivessem achado mais interessantes, porque não seria possível resumir toda a história dos hebreus em poucas aulas. 

O mais interessante é que todos os trabalhos vistos em conjunto compõem uma sequência da história dos hebreus, mesmo tendo dado a liberdade para que escolhesses a passagem que quisessem, é muito bom verificar a variedade de passagens representadas pelos alunos.

E aqui estão alguns resultados:






quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Alguns resultados


É muito comum me perguntarem se tenho algo produzido por meus alunos em sala de aula que esteja relacionado aos quadrinhos, como isso já é uma cobrança antiga resolvi postar aqui uma experiência que tive no ano de 2009, meu primeiro ano de trabalho na EMEF Leônidas Santiago, no Rangel.
Eu havia acabado de ser nomeada, estava muito empolgada para começar logo pois ensinar na rede pública era o que o eu mais queria, mas como a escola estava em reforma o início das aulas foi adiado e comecei a trabalhar apenas no mês de abril. As condições de trabalho também foram difíceis porque a reforma prosseguia e tive que trabalhar com duas turmas em uma única sala, eram cerca de 55 alunos!!!
Porém, mesmo diante de toda adversidade, consegui realizar uma atividade que nas condições de trabalho da época posso considerar um sucesso. Consegui estimular alguns alunos a reproduzirem em quadrinhos um assunto visto em sala.
O tema escolhido foram "Os trezentos de Esparta", em primeiro lugar por causa do filme, pois cerca de 90% da turma já tinha assistido, e em segundo lugar porque tumas de sexto ano, por conta da faixa etária, adoram histórias com aventuras, logo pensei que seria mais interessante tentar representar algo que possibilitasse uma larga utilização da imaginação dos meus pequenos.
O primeiro passo foi uma aula sobre o assunto, e aí tive que usar e abusar da narração para que a história parecesse muito interessante. Antes que alguns historiadores mais radicais se levantem contra mim eu assumo: EU DEFENDO ATÉ A MORTE A IMPORTÂNCIA DE UMA BOA NARRAÇÃO!!!
Em seguida os levei para uma pesquisa sobre o assunto na sala de informática, os deixei livres para escolher os detalhes que mais lhes interessavam.
O terceiro passo foi uma aula demosnstrando a linguaguem dos quadrinhos, o significado de cada balão, os recursos que eler poderiam utilizar, enfim, ampliei o leque de opções para o trabalho.
A última etapa foi o fazer, que a princípio confesso que cheguei a duvidar, mas depois ao ver os resultados fiquei muito feliz por ter verificado na prática a eficácia desse tipo de abordagem. Acima está um dos frutos que colhi.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

A produção do aluno

Uma das coisas mais interessantes, entre todas as que já existem, no trabalho com histórias em quadrinhos na sala de aula é a possiblidade de que o próprio aluno produza sua história em quadrinhos, o que tanto facilita a assimilação do conteúdo como o estimula a participar do trabalho em sala de aula, pois ele sai da condição de apenas receptor e passa a assumir a de produtor do conhecimento também.
Porém, muitos podem acabar se perguntando sobre como os erros do aluno são corrigidos em um trabalho como este. E eu respondo de acordo com a minha forma de trabalho, que não é padrão mas sim um experimento, os erros não são corrigidos, são apontados. Como assim?
De uma forma bem simples, é preciso antes de mais nada deixar bem claro que o resultado do que o aluno produz nesta proposta de trabalho é apenas mais uma visão de um mesmo acontecimento (lembram das aulas de Introdução aos Estudos de História???).
A partir do momento em que se inicia um trabalho tendo essa idéia em mente, é possível verificar a produção de materiais surpreendentes, pois sabemos muito bem que é extremamente ultrapassada a idéia de que o aluno é uma folha em branco na qual o professor "grava" seus conhecimentos. Antes de ser aluno, ele é um adolescente, ou criança, que está em plena época do bombardemanto das informações, que lida com as novas tecnologias, que vê, ou até mesmo veicula, um vídeo no youtube, que tecla no messenger ao mesmo tempo em que ouve o o novo albúm da sua banda favorita (que nem sequer ainda foi lançado, mas que ele conseguiu através de um site de compartilhamento) e ainda espera terminar o download daquele filme que ele tanto esperou para ver.
Esse é público que temos agora, formado por pessoas capazes de produzir, dotados de potencialidades que necessitam ser descobertas. Não é uma tarefa fácil, confesso. Mas quem disse que educar é simples?

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Quadrinhos na sala de aula: uma prática possível, mas não solitária!!!

Sempre que eu converso com outras pessoas sobre a minha pesquisa é muito comum a seguinte pergunta: mas como você trabalha os conteúdos de história com histórias em quadrinhos?
Gente, nesse tempo em que venho atuando na área da educação aprendi que não existe uma fórmula pronta para o trabalho em sala de aula. Tudo sempre é uma experiência. E ainda tem gente que diz que historiador não é cientista...
Porém, ao contrário de materiais químicos, não podemos prever a reação dos alunos às nossas estratégias, às vezes dá certo, outras não. E o que faço? Bem, tento outra abordagem! Afinal, se quero que minha experiência dê resultados eu tenho que seguir tentando não é?
Não quero desencorajar ninguém, mas através da minha própria experiência quero compartilhar a seguinte informação que considero muito útil: a prática com novas linguagens na sala de aula nunca deve ser um trabalho isolado! Se você trabalha com cinema, pode aliar música, poesia, fotografia ou qualquer outro suporte.
Dito isto, acho que devo ter deixado bem claro que o trabalho com novas linguagens pede o conhecimento delas. Dessa maneira, como facilitadores do conhecimento e profissionais comprometidos com a constante adaptação das práticas pedagógicas devemos estar atualizados com toda essa invasão de informação que vivemos atualmente.
Por isso defendo sempre que experimente, e não apenas isso, vá além, misture, inove, crie, pois a escola é uma instituição cheia de vida, e como tal está em constante transformação.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

As angústias em realizar um estudo apaixonado

A possibilidade de trabalhar com novas linguagens é sempre um caminho apaixonante, mas assim como toda grande paixão sempre vem acompanhada de alguns tormentos, nesse caso não poderia ser diferente.
Sempre gostei de histórias em quadrinhos, mas foi no início da minha vida adulta, e também no início da minha vida acadêmica, que as percebi como uma forma de arte, e foi nesse momento que a paixão por esse tipo de linguagem me atingiu fortemente e não me abandonou até hoje!
Encantada a princípio, eu não tinha a dimensão certa dos sacrifícios que eu teria que fazer para alimentar essa paixão, e me atirei de cabeça nessa relação sem pensar nas consequências posteriores.
Depois de algum tempo, percebi que essa relação não seria fácil, porque não havia muitas bases sólidas para apoiá-la, percebi que eu mesma teria que buscar em vários lugares o material necessário para compor uma base firme para esse romance.
Mesmo assim, ainda tivemos muitos problemas de relacionamento, porque muitas vezes o objeto da minha paixão não se apresentava muito claro, outras vezes não estava disponível, mas muito apaixonada segui buscando-o, porque apenas ele me realizaria.
Além dos problemas próprios da relação tive que enfrentar os comentários dos "de fora", que sempre falavam coisas do tipo "mas como você foi se interessar por algo assim?" ou "que futuro pode ter uma coisa dessas?", mas mesmo assim minha paixão não diminuiu nem um pouco, permaneceu forte e me manteve com os olhos fixos no objeto da minha paixão.
E como todas as paixões que conseguem sobreviver ao teste do tempo, a minha se transformou em amor, uma relação mais madura, que enxerga os defeitos e limitações dessa relação, mas que mesmo assim reserva forças para persistir, mesmo quando falta tempo, mesmo quando falta inspiração. Porque algo que realmente vale a pena nunca é fácil, e só quando empregamos um sentimento muito forte no que fazemos conseguimos superar todas as angústias que a rotina possa trazer e realizar algo bonito e prazeroso.