terça-feira, 21 de outubro de 2014

Júlia e a tecnologia

Não tenho nada contra tecnologias, gosto muito da dinâmica que as mídias digitais trouxeram para as nossas vidas, mas não abro mão de comprar livros. Amo tocá-los, cheirá-los, admirá-los arrumadinhos na estante, ler e reler quantas vezes eu quiser. Acredito que os e-books são práticos, mas não gosto desse discurso de que eles chegaram para substituir os livros físicos. Então, para os que insistem em me questionar sobre meu apego aos livros, Júlia tem a resposta.


sábado, 11 de outubro de 2014

Respostas que eu gostaria de dar

Quando que digo que sou professora, muitas vezes sou surpreendida com algumas perguntinhas desagradáveis, como:
- Mas você trabalha ou só dá aula mesmo?
- Nunca pensou em mudar de área?
- Como assim? Quer dizer que você dá aulas?
E a pior de todas:
- Mas você é tão inteligente, por que escolheu ser professora?
Para cada uma delas tenho respostas imaginárias que nunca dei, por causa de educação, bom senso (que quem faz esse tipo de pergunta não tem!) e até mesmo pura preguiça de responder algo assim. Mas como a Júlia é mais corajosa que eu, ela responde na lata! Esse foi o primeiro desenho que fiz dela, nem nome a personagem tinha ainda. Mas coragem, isso ela já tinha sobrando!



quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Conheçam Júlia Incomodada

Saudações, navegantes!
Gostaria que vocês conhecessem a personagem "Júlia Incomodada". Ela já habita há um certo tempo meus cadernos de anotações, sempre no cantinho, como um rápido rabisco feito em momentos de distração, ou em uma página completa, quando o tempo me permite dedicar um pouco mais de atenção a ela.




Depois desse tempinho de anonimato, resolvi compartilhá-la com vocês. Júlia é uma professora com senso crítico apurado e sem um pingo de paciência tanto para os entraves que aparecem no meio do caminho de qualquer profissional, quanto para comentários vazios e discursos batidos.

Vocês devem perguntar: criadora e criatura se misturam? E eu respondo: lógico! Mas admito que ela tem muito mais coragem de falar tudo o que pensa do que eu.
Hoje, deixo vocês apenas com algumas caras e bocas de Júlia, mas dentro em breve vocês conhecerão seus pensamentos.


 


sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Restarting TUDO

Depois de anos-luz sem escrever nada, resolvi retomar minhas atividades no blog. Agora, de vez! Durante esse (longo!) tempo afastada andei fazendo muitas coisas: uma visitinha à Buenos Aires em 2012, para participar do Viñetas Serias - Congresso Internacional de Historietas; ainda em 2012 ministrei minicurso em Cajazeiras sobre práticas para o ensino de História; em 2013 participei do Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos, em São Paulo; além disso, continuei nesse tempo aplicando experiências com quadrinhos tanto nas aulas para o ensino fundamental quanto nas pesquisas acadêmicas.

Último dia de trabalhos na oficina
Minha mais recente aventura aconteceu no XVI Encontro Estadual de História, que ocorreu na Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), na vizinha (e fria!) Campina Grande. No evento ministrei a oficina "A História entre quadros: as histórias em quadrinhos e suas potencialidades para o ensino de História", e, juntamente com a Profª Regina Behar, coordenei o simpósio temático "Veredas historiográficas: novas linguagens para a pesquisa e ensino de História", no qual apresentei o trabalho "Rê Bordosa e as dimensões do feminino nos quadrinhos udigrudi".

O que posso dizer do evento? Foi uma experiência muito rica e gratificante, é ótimo observar o número de pessoas que se dedicam à pesquisa sobre histórias em quadrinhos aumentar. Essas narrativas visuais são documentos sim, e se configuram como ricos materiais tanto para o ensino quanto para pesquisa.
Trabalho da aluna Juliana Almeida

A oficina em especial foi maravilhosa, compartilhar minhas experiências com quadrinhos e tentar acender, ao longo de três dias, a centelha do que virá a ser uma chama futura foi meu maior objetivo. Tive uma grata surpresa no último dia de trabalho, um quadrinho feito por uma das alunas da oficina, Juliana Almeida. Um duplo presente, pois, além de me ofertá-lo, a própria produção já demonstra que consegui cumprir meu objetivo. Espere que todos multipliquem os conhecimentos que compartilhamos ao longo desses três dias, e que em 2016, no XVII Encontro Estadual de História, eu possa ver os frutos que plantamos nesses frios últimos dias do mês de agosto.


MUITO OBRIGADA, TRABALHAR COM VOCÊS FOI ÓTIMO. 

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Tempo, tempo, tempo, tempo...

Quando vi o mangá Sunadokei - O Relógio de Areia pela primeira vez pensei: mais um shoujo, deve ser divertido. Como leitora antiga desse estilo de quadrinhos, um dos primeiros a entrar na minha coleção, comprei o primeiro número em nome dos velhos tempos, como uma distração, sem intenção de levar muito a sério a leitura. Desde a primeira página a história me prendeu de uma forma que eu não esperava, e do mero entretenimento que estava buscando comecei a traçar reflexões sobre a história e sobre minha própria vida.

O mangá de Hinako Ashihara conta a história de Ann Wekusa, uma adolescente que, após o divórcio dos pais, se muda com a mãe para a aldeia natal da mesma.  Após um processo um tanto quanto complicado de adaptação a garota, que antes vivia em Tóquio, passa a gostar do local e estabelece uma amizade com  o garoto Daigo Kitamura e com o casal de irmãos Fuji e Shiika Tsukishima.

A história não segue um ritmo linear e os fatos dão verdadeiros saltos, sempre emoldurados pelas estações do ano que marcam os sentimentos e sensações dos personagens, como por exemplo, a paixão que explode num verão, com todo seu calor e força, ou a separação em um inverno frio, triste, contemplativo. Ouso dizer que Sunadokei, muito mais do que a história de Ann e seus amigos, é uma história sobre o tempo e o que ele faz com as pessoas (ou elas com ele!). O tom nostálgico e as idas e vindas da história chamaram a minha atenção para os meandros da memória, o que nela guardamos e, talvez até mais importante, como o fazemos. 

O relógio da areia do título é uma constante na história, colocando mais uma vez em evidência o personagem mestre da história: o tempo. Tomando emprestada uma frase da canção de Caetano Veloso, ele é o "compositor de destinos", e no caso dos quarteto de amigos ele opera com a maior maestria diversos tons e ritmos, levando os personagens a reflexões e mudanças profundas em suas vidas, tal qual na nossa própria vida. A areia sempre escoando, representando o passado que não volta, o presente que está em movimento e o porvir desconhecido, além da triste consciência de que a areia chegará ao fim.

 Leitura mais que recomendada!

AVISO AOS NAVEGANTES:

MANGÁ: palavra utilizada para designar as histórias em quadrinhos feitas no estilo japonês.

SHOUJO: é o termo usado para se referir a mangás para garotas, apesar de poder interessar também a qualquer gênero ou faixa etária.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Narrativas visuais: exposição sobre quadrinhos em um evento de historiadores

Entre os dias 24 e 28 de outubro participei do II Congresso Nacional do Cangaço e III Semana Regional de História, eventos realizados em conjunto na UFCG, no campus da cidade mais quente em que já estive até hoje: Cajazeiras.
Atuei no evento como ministrante do minicurso "Narrativas visuais: o uso das histórias em quadrinhos no ensino de história", e foi uma experiência extremamente gratificante e enriquecedora. 

Há muito tempo venho trabalhando com o uso das histórias em quadrinhos na sala de aula e também como material para pesquisa acadêmica, e compartilhar os conhecimentos adquiridos nestes dois espaços foi algo muito positivo, mas também uma tarefa de extrema responsabilidade. O maior "impacto" que tive foi verificar a lista de inscritos, no dia em que cheguei à cidade a turma já estava fechada, 30 alunos, e com perspectiva de mais inscrições, foi uma satisfação grande e um sentimento de responsabilidade de igual tamanho.

A oportunidade de expor uma nova perspectiva de análise das histórias em quadrinhos, apresentá-las como um rico material tanto para a pesquisa acadêmica quanto para a prática em sala de aula e compartilhar os resultados de experiências que realizei anteriormente foram momentos muito importantes deste processo. Porém, o que mais me agradou foi a receptividade dos alunos às minhas propostas, algo fundamental para o sucesso de um trabalho assim.

Os contatos que estabeleci e retorno dos alunos nos dias seguintes ao minicurso, seja por e-mail ou comentários aqui mesmo, foram o que me deixou mais satisfeita, pois através disso me dei conta de que o meu propósito ao cruzar a Paraíba em uma cansativa viagem  com oito hora de duração para ir falar sobre quadrinhos foi cumprido, que era acender a centelha da curiosidade para esta nova linguagem. Agora, espero que o futuro me apresente os frutos deste trabalho, sob a forma de novos companheiros na pesquisa sobre histórias em quadrinhos e que ainda possamos trocar muitas figurinhas pelos eventos acadêmicos da vida.


domingo, 9 de outubro de 2011

Reiniciando

Depois de um bom tempo sem escrever eis-me aqui novamente! Finalmente defendi, uma pesquisa desenvolvida ao longo de dois anos e meio chegou ao fim. 
Escutando a leitura da ata
A defesa da minha dissertação, intitulada "Angeli e a República dos Bananas: representações cômicas da política brasileira na revista Chiclete com Banana (1985-1990)", ocorreu na manhã do dia 24 de agosto. Apesar da ansiedade característica de um evento assim, tudo se passou de forma muito tranquila e satisfatória. Pude perceber que os membros da banca gostaram da minha escrita, do tema, dos resultados da pesquisa, enfim, ficaram satisfeitos com o trabalho. 
Assim como me disseram muitos amigos que já haviam passado pela mesma experiência, a defesa é um momento muito bom. Da parte da banca vieram comentários significativos, que me acompanharão por toda a minha vida acadêmica.

A tradicional foto com a banca avaliadora. Da esquerda para a direita: Iranilson Buriti de Oliveira (examinador externo), Regina Maria Rodrigues Behar (orientadora) e Henrique Magalhães (examinador interno)

Porém , apesar de ter passado muito tempo esperando por esse momento conclusivo, após alguns dias de descanso vem uma sensação de vazio, um certo sentimendo de "viuvez" como definiu minha querida professora Regina Célia. Sentindo que já era hora de reiniciar, tal qual pus no título, lanço-me a novos desafios, e entre eles está este blog. Ainda existe muito a ser comentado sobre quadrinhos, e aguardem mais textos e com mais frequência, prometo!
A prova do crime: minha dissertação
Apoveito para agradecer à minha orientadora, a Profa. Regina Maria Rodrigues Behar, que sempre acreditou na viabilidade da minha pesquisa e me deu algo fundamental para um bom desempenho em um trabalho acadêmico: liberdade. Agradeço também ao Prof. Henrique Magalhães, que gentilmente permitiu o acesso e digitalização das fontes, e ao Prof. Iranilson Buriti de Oliveira, pelas excelentes contribuições no momento da defesa. Não posso esquecer de agradecer também a todos os professores do PPGH/UFPB, que direta ou indiretamente contribuíram com a minha pesquisa.
Por enquanto, compartilho com vocês as fotos desse dia tão maravilhoso na minha vida, mais um ciclo que concluí e a abertura de muitas outras portas pelas quais desejo passar. Agradeço aos que torceram por mim e acompanharam meu percurso, e aproveito para convidá-los para minha mais nova jornada no mundo dos quadrinhos e da pesquisa acadêmica.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Como os Beats entraram na minha vida


Um dos maiores erros de quem está em processo de finalização de uma dissertação é começar a pensar em temas para uma tese. Mas manter o foco é uma tarefa difícil, diria até quase impossível, pois são muitas as leituras feitas durante a elaboração de uma dissertação, logo, como todo ser pensante, as ideias começam a saltar e já começamos a planejar o próximo passo antes mesmo de concluir este primeiro.

Comigo, tudo começou na qualificação, quando a banca examinadora me recomendou que aprofundasse o debate sobre contracultura. Depois de ler alguns artigos sobre o tema fui direto na fonte, li The Making Of  a Counter Culture, de Theodore Roszak, o autor que criou o termo contracultura. Desde as primeiras páginas o autor me seduziu, especialmente com a seguinte afirmação no primeiro capítulo:

Para o bem ou para o mal, a maior parte do que atualmente ocorre de novo, desafiante e atraente, na política, na educação, nas artes e nas relações sociais (amor, corte sentimental, família, comunidade) é criação de jovens que se mostram profundamente, até mesmo fanaticamente alienados da geração de seus pais, ou de pessoas que se dirigem primordialmente aos jovens.”
(ROSZAK, 1972, p.15)

Sempre me senti atraída por movimentos culturais da juventude,movimentos de contestação, ruptura dos padrões. Lembro de ainda no Ensino Médio ter lido repetidas vezes livros sobre estes temas. E na pós-graduação, a possibilidade de trabalhar com histórias em quadrinhos contraculturais me apaixona. Me aprofundando na leitura de Roszak, conheci melhor os beats. Havia feito algumas leituras antes sobre este movimento, mas com este autor, compreendi o movimento com um olhar mais diferenciado, e isso despertou ainda mais minha curiosidade.


Porém, o estopim que fez explodir em mim essa ânsia pela literatura beat, foi a leitura da Graphic Novel Os Beats. Em um ritmo que se assemelha muito ao jornalismo em quadrinhos de Joe Sacco, esta obra me permitiu conhecer mais sobre Jack Kerouack, Allen Ginsberg e William Borroughs, grandes nomes daquela que ficou conhecida como geração beat, assim como também fui apresentada a outros autores cuja obra ainda eu ainda desconhecia.

O desejo destes autores em criar uma arte livre de amarras, seu antiacademicismo (e que hoje é objeto de estudo da academia!) e o estilo de vida que levavam me impressionaram, e confesso que entre um parágrafo e outro da minha pesquisa atual, sempre encaixo algo deste tema para uma pesquisa futura. 




Não é a melhor receita para realizar uma pesquisa acadêmica, pois recomenda-se sempre fechar um tema para ingressar em outro, todavia, para uma pesquisadora da contracultura seguir as regras ao pé da letra seria muito contraditório não?! Além disso, sou uma pessoa movida pela paixão, os que me conhecem sabem muito bem disso, e os que ainda não me conhecem, podem perceber essa minha característica pelos meus textos e comentários. E quando me apaixono, mergulho a fundo no tema, me envolvo por completo, e apesar de na escrita acadêmica sempre existir a recomendação de dosar as paixões, eu prefiro ficar com uma frase do maravilhoso filme argentino El Secreto de Sus Ojos, “Sólo hay una cosa que un tipo no puede cambiar. No puede cambiar de PASIÓN”.



terça-feira, 19 de outubro de 2010

Novos resultados da produção de HQs em sala de aula

Já faz um bom tempo que não escrevo, desde agosto sem por uma única linha aqui! Mas para quem pensou que eu havia abandonado o blog ou deixado de trabalhar com histórias em quadrinhos, cometeu um grande engano. Na verdade, eu estava mais do que nunca empenhada em trabalhos nessa área, tanto na minha dissertação, pois há alguns dias terminei meu trabalho de qualificação, quanto no meu trabalho como professora, pois realizei trabalho semelhante ao desenvolvido em 2009, mas desta vez com alguns acréscimos. E, finalmente, venho agora compartilhar os frutos deste projeto.

O trabalho foi aplicado com turmas do sexto ano do ensino fundamental e o tema escolhido foi o povo hebreu. Explico: em primeiro lugar levei em consideração o fato de que muitos deles já conhecem de certa maneira o tema, por informações adquiridas nas aulas de catecismo ou na escolinha dominical, em segundo lugar  considerei a grande quantidade de material disponível na internet, de maneira que facilitaria a pesquisa dos alunos ao oferecer ampla diversidade, e em terceiro, observei que geralmente os alunos de sétimo ano tem uma grande dificuldade em entender a formaçãos das religiões monoteístas, portanto, pensei que essa experiência serviria como uma base para o ano seguinte.

Comecei pela exposição oral do conteúdo, tanto para oferecer aos alunos um primeiro conhecimento do tema a ser abordado como para observar o que eles já sabiam sobre o conteúdo, porque penso que a exposição oral não é apenas um trabalho de repasse do conhecimento do professor para o aluno, mas muito além disso é um importante instrumento de sondagem. Além de expor o conteúdo e verificar o que eles já conheciam, expus o que seria precisamente o trabalho final, para que desde o início eles direcionassem a pesquisa para a produção de determinada linguagem.

Feito isso, o segundo passo foi levá-los, divididos em grupos de três componentes, para realizar uma pesquisa na sala de informética, para que eles identificassem todo o material necessário para a construção da história em quadrinhos, para tal, foi seguido um roteiro elaborado anteriormente na sala de aula junto com os alunos.

O próximo passo foi reunir referências visuais, obtidas através da  exibição da animação O Príncipe do Egito, produzida pelos estúdios Dream Works em 1998.



Em seguida, na sala de aula, foram feitas as comparações entre o material pesquisado e as referências obtidas por meio da animação. Feito isso, fiz uma revisão sobre a linguagem dos quadrinhos e os grupos partiram para a elaboração dos mesmos. Pedi que escolhessem apenas algumas passagens, as que tivessem achado mais interessantes, porque não seria possível resumir toda a história dos hebreus em poucas aulas. 

O mais interessante é que todos os trabalhos vistos em conjunto compõem uma sequência da história dos hebreus, mesmo tendo dado a liberdade para que escolhesses a passagem que quisessem, é muito bom verificar a variedade de passagens representadas pelos alunos.

E aqui estão alguns resultados:






quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Alguns resultados


É muito comum me perguntarem se tenho algo produzido por meus alunos em sala de aula que esteja relacionado aos quadrinhos, como isso já é uma cobrança antiga resolvi postar aqui uma experiência que tive no ano de 2009, meu primeiro ano de trabalho na EMEF Leônidas Santiago, no Rangel.
Eu havia acabado de ser nomeada, estava muito empolgada para começar logo pois ensinar na rede pública era o que o eu mais queria, mas como a escola estava em reforma o início das aulas foi adiado e comecei a trabalhar apenas no mês de abril. As condições de trabalho também foram difíceis porque a reforma prosseguia e tive que trabalhar com duas turmas em uma única sala, eram cerca de 55 alunos!!!
Porém, mesmo diante de toda adversidade, consegui realizar uma atividade que nas condições de trabalho da época posso considerar um sucesso. Consegui estimular alguns alunos a reproduzirem em quadrinhos um assunto visto em sala.
O tema escolhido foram "Os trezentos de Esparta", em primeiro lugar por causa do filme, pois cerca de 90% da turma já tinha assistido, e em segundo lugar porque tumas de sexto ano, por conta da faixa etária, adoram histórias com aventuras, logo pensei que seria mais interessante tentar representar algo que possibilitasse uma larga utilização da imaginação dos meus pequenos.
O primeiro passo foi uma aula sobre o assunto, e aí tive que usar e abusar da narração para que a história parecesse muito interessante. Antes que alguns historiadores mais radicais se levantem contra mim eu assumo: EU DEFENDO ATÉ A MORTE A IMPORTÂNCIA DE UMA BOA NARRAÇÃO!!!
Em seguida os levei para uma pesquisa sobre o assunto na sala de informática, os deixei livres para escolher os detalhes que mais lhes interessavam.
O terceiro passo foi uma aula demosnstrando a linguaguem dos quadrinhos, o significado de cada balão, os recursos que eler poderiam utilizar, enfim, ampliei o leque de opções para o trabalho.
A última etapa foi o fazer, que a princípio confesso que cheguei a duvidar, mas depois ao ver os resultados fiquei muito feliz por ter verificado na prática a eficácia desse tipo de abordagem. Acima está um dos frutos que colhi.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

A produção do aluno

Uma das coisas mais interessantes, entre todas as que já existem, no trabalho com histórias em quadrinhos na sala de aula é a possiblidade de que o próprio aluno produza sua história em quadrinhos, o que tanto facilita a assimilação do conteúdo como o estimula a participar do trabalho em sala de aula, pois ele sai da condição de apenas receptor e passa a assumir a de produtor do conhecimento também.
Porém, muitos podem acabar se perguntando sobre como os erros do aluno são corrigidos em um trabalho como este. E eu respondo de acordo com a minha forma de trabalho, que não é padrão mas sim um experimento, os erros não são corrigidos, são apontados. Como assim?
De uma forma bem simples, é preciso antes de mais nada deixar bem claro que o resultado do que o aluno produz nesta proposta de trabalho é apenas mais uma visão de um mesmo acontecimento (lembram das aulas de Introdução aos Estudos de História???).
A partir do momento em que se inicia um trabalho tendo essa idéia em mente, é possível verificar a produção de materiais surpreendentes, pois sabemos muito bem que é extremamente ultrapassada a idéia de que o aluno é uma folha em branco na qual o professor "grava" seus conhecimentos. Antes de ser aluno, ele é um adolescente, ou criança, que está em plena época do bombardemanto das informações, que lida com as novas tecnologias, que vê, ou até mesmo veicula, um vídeo no youtube, que tecla no messenger ao mesmo tempo em que ouve o o novo albúm da sua banda favorita (que nem sequer ainda foi lançado, mas que ele conseguiu através de um site de compartilhamento) e ainda espera terminar o download daquele filme que ele tanto esperou para ver.
Esse é público que temos agora, formado por pessoas capazes de produzir, dotados de potencialidades que necessitam ser descobertas. Não é uma tarefa fácil, confesso. Mas quem disse que educar é simples?

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Quadrinhos na sala de aula: uma prática possível, mas não solitária!!!

Sempre que eu converso com outras pessoas sobre a minha pesquisa é muito comum a seguinte pergunta: mas como você trabalha os conteúdos de história com histórias em quadrinhos?
Gente, nesse tempo em que venho atuando na área da educação aprendi que não existe uma fórmula pronta para o trabalho em sala de aula. Tudo sempre é uma experiência. E ainda tem gente que diz que historiador não é cientista...
Porém, ao contrário de materiais químicos, não podemos prever a reação dos alunos às nossas estratégias, às vezes dá certo, outras não. E o que faço? Bem, tento outra abordagem! Afinal, se quero que minha experiência dê resultados eu tenho que seguir tentando não é?
Não quero desencorajar ninguém, mas através da minha própria experiência quero compartilhar a seguinte informação que considero muito útil: a prática com novas linguagens na sala de aula nunca deve ser um trabalho isolado! Se você trabalha com cinema, pode aliar música, poesia, fotografia ou qualquer outro suporte.
Dito isto, acho que devo ter deixado bem claro que o trabalho com novas linguagens pede o conhecimento delas. Dessa maneira, como facilitadores do conhecimento e profissionais comprometidos com a constante adaptação das práticas pedagógicas devemos estar atualizados com toda essa invasão de informação que vivemos atualmente.
Por isso defendo sempre que experimente, e não apenas isso, vá além, misture, inove, crie, pois a escola é uma instituição cheia de vida, e como tal está em constante transformação.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

As angústias em realizar um estudo apaixonado

A possibilidade de trabalhar com novas linguagens é sempre um caminho apaixonante, mas assim como toda grande paixão sempre vem acompanhada de alguns tormentos, nesse caso não poderia ser diferente.
Sempre gostei de histórias em quadrinhos, mas foi no início da minha vida adulta, e também no início da minha vida acadêmica, que as percebi como uma forma de arte, e foi nesse momento que a paixão por esse tipo de linguagem me atingiu fortemente e não me abandonou até hoje!
Encantada a princípio, eu não tinha a dimensão certa dos sacrifícios que eu teria que fazer para alimentar essa paixão, e me atirei de cabeça nessa relação sem pensar nas consequências posteriores.
Depois de algum tempo, percebi que essa relação não seria fácil, porque não havia muitas bases sólidas para apoiá-la, percebi que eu mesma teria que buscar em vários lugares o material necessário para compor uma base firme para esse romance.
Mesmo assim, ainda tivemos muitos problemas de relacionamento, porque muitas vezes o objeto da minha paixão não se apresentava muito claro, outras vezes não estava disponível, mas muito apaixonada segui buscando-o, porque apenas ele me realizaria.
Além dos problemas próprios da relação tive que enfrentar os comentários dos "de fora", que sempre falavam coisas do tipo "mas como você foi se interessar por algo assim?" ou "que futuro pode ter uma coisa dessas?", mas mesmo assim minha paixão não diminuiu nem um pouco, permaneceu forte e me manteve com os olhos fixos no objeto da minha paixão.
E como todas as paixões que conseguem sobreviver ao teste do tempo, a minha se transformou em amor, uma relação mais madura, que enxerga os defeitos e limitações dessa relação, mas que mesmo assim reserva forças para persistir, mesmo quando falta tempo, mesmo quando falta inspiração. Porque algo que realmente vale a pena nunca é fácil, e só quando empregamos um sentimento muito forte no que fazemos conseguimos superar todas as angústias que a rotina possa trazer e realizar algo bonito e prazeroso.

domingo, 28 de março de 2010

Tudo parece bem melhor antes!

Avançando na minha pesquisa sobre a revista Chiclete com Banana li um livro bem interessante "Fantasias e cotidiano nas histórias em quadinhos", do Nadilson Manoel da Silva, trata-se da sua dissertação de mestrado. Nessa leitura não pude evitar que um certo sentimento me invadisse, o de que tudo parecia bem melhor antes.
Antes que inúmeras críticas caiam em cima de mim, deixo claro que a produção nacional de quadrinhos atualmente tem atingido bons números e muito do material é de qualidade, mas o que tenho sentido falta é do espírito crítico presente na Chiclete.
Em toda a sua produção, fica evidente a insatisfação de Angeli perante o cenário que observava. Também percebi a representação das tribos urbanas, que surgiam no período da publicação da revista.
Hoje a tribo foi substituída pelo indivíduo e o contato pessoal pelo meio eletrônico.
Talvez eu tenha essa situação porque durante a adolescência produzi fanzines, participando de certa forma do "espírito da coisa" das publicações alternativas, e hoje me entristeço vendo que o movimento tal qual era antes perdeu sua força e expressividade. Não nego que eles migraram para outro suporte, a internet, mas essa mudança não foi apenas no espaço onde se expressa, afetou também sua estrutura, e discutir isso não é minha intenção agora.
Posso até parecer retrógrada, mas não tenho medo de confessar que sinto falta sim de como eram feitas as publicações antes, e sinto que essa sensação aumenta cada vez que se estreita minha relação com a fonte da minha pesquisa.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Pra começo de conversa...

Todos os que já desenvolveram, ou desenvolvem, uma pesquisa acadêmica sabem o quanto vicia a linguagem específica utilizada em trabalhos assim. São tantas normas a seguir, as citações no local correto, as palavras rebuscadas, que acabamos nos vendo presos a esse tipo de escrita e não conseguimos produzir nada que fuja a esse "padrão de qualidade universitário".
Minha intenção aqui é exercitar minha informalidade (até mesmo para não perdê-la!) tratando de um assunto que já há um bom tempo faz parte da minha vida: a análise de histórias em quadrinhos.
Presente na minha vida desde as primeiras leituras, esse tipo de linguagem foi, com o passar do tempo, ganhado mais espaço e alcançou minha vida acadêmica, local onde agora se encontra e me oferece um amplo horizonte de pesquisa que não vejo a possibilidade de abandonar, e talvez não veja nunca!
Muitas vezes, e injustamente, as histórias em quadrinhos são tratadas como uma linguagem exclusivamente voltada para o público infantil, o que é um grande equívoco. Mas felizmente, de algus anos pra cá, essa situação tem mudado. É impressionante, e ao mesmo tempo me alegra muito, a proporção de trabalhos acadêmicos sobre histórias em quadrinhos nas mais diversas áreas. Todavia, é necessário lembrar que a área que mais concentra estudos desse tipo é a de Comunicação Social.
O crescimento de produções cinematográficas baseadas em histórias em quadrinhos também tem contribuído muito para a divulgação das mesmas. Ao voltar seus holofotes para os quadrinhos, a indústria cinematográfica demonstrou todas as possibilidades existentes nessa linguagem. E para a grande alegria de fãs, assim como eu, essas produções não ficaram restritas aos já famosos super-heróis (como Homem-Aranha, Batman, Superman, etc) mas alcançaram quadrinhos conhecidos apenas pelos aficcionados por essa linguagem em produções como From Hell e Road to Perdition, e ainda tantas outras que não citei aqui, que sendo extremamente fiéis ou mesmo fugindo um pouco do original, serviram para mostrar que não se fazem histórias em quadrinhos apenas com Kriptonita e capas, mas que essas histórias podem partir das idéias mais simples, se basearem em temas comuns e, mesmo assim, serem narrativas interessantes e em alguns casos com muita profundidade.
Foi essa abertura que me animou a iniciar meus estudos sobre as histórias em quadrinhos. Inicialmente me dediquei a história das histórias em quadrinhos, para assim conhecer ainda mais sobre esse tema que hoje me envolve completamente. E já a partir daí pude perceber qual caminho que eu utilizaria para trabalhá-las na minha área de atuação, a História, que são os debates sobre Cultura Histórica. Esse conceito é um tanto quanto complicado de explicar foras dos termos acadêmicos, entretanto, como esse é meu desafio aqui vou tentar "trocar em miúdos". O exemplo mais simplificado do que seria Cultura Histórica é o trabalhado por Elio Chaves Flores de que se trataria de uma "intersecção" entre um saber profissional e o não-profissional (este produzido por escritores, cartunistas, jornalistas, etc). Esse saber não-profissional estaria carregado com as marcas do período em que foi produzido, representando a visão do seu autor, ou autores, sobre o contexto em que estavam inseridos, bem como contribuindo para a formação de opinião.
Dessa maneira, meu trabalho com histórias em quadrinhos é buscar compreender como o contexto em que as mesmas foram produzidas aparecem entre seus quadros e balões bem como sua contribuição para a constituição de uma determinada imagem do período. É a aplicação da "intersecção" mencionada acima.
Como uma toda pesquisadora que se preze, sempre que leio alguma hq é impossível não tentar analisá-la, isso já é um ato automático. Assim, alguns posts futuros poderão fugir um pouco da minha atual pesquisa, que se concentra na revista Chiclete com Banana, mas não fugirão do meu objetivo que dá nome ao blog "historiar as hqs", perceber a carga de historicidade presente nelas e também, como não poderia deixar de lado minha outra face, a de professora, perceber aa possibilidades que oferecem para o ensino de História.
Bom, acredito que já deixei um pouco mais claras as minhas intenções, que são as melhores possíveis, e espero poder não apenas expor como também trocar informações sobre a pesquisa de histórias em quadrinhos. Até a próxima!